O teste de impairment, ou teste de recuperabilidade, verifica se o valor contábil de um ativo é maior do que o valor que a empresa consegue recuperar com ele, por uso ou por venda. Quando é maior, a diferença precisa ser reconhecida como perda. A regra está no CPC 01 (R1), equivalente à NBC TG 01.
Quando o teste é necessário
O CPC 01 pede que a entidade avalie, ao fim de cada período de reporte, se há indícios de que algum ativo perdeu valor. Se houver, o teste é obrigatório. Alguns sinais comuns:
- Queda relevante do valor de mercado do ativo.
- Mudanças adversas de tecnologia, mercado, economia ou regulação.
- Evidência de obsolescência ou dano físico.
- Ativos ociosos, com operação descontinuada ou em reestruturação.
- Desempenho econômico do ativo pior do que o esperado.
Alguns ativos, como o ágio por expectativa de rentabilidade futura e intangíveis com vida útil indefinida, têm exigência de teste anual independentemente de indícios. A necessidade de cada caso deve ser confirmada com o contador e o auditor.
Como funciona o cálculo
O valor recuperável é o maior entre dois valores:
| Valor justo líquido de despesas de venda | Valor em uso |
|---|---|
| Quanto o ativo poderia ser vendido no mercado, menos as despesas de venda. Segue o conceito de valor justo do CPC 46. | Valor presente dos fluxos de caixa futuros esperados do uso contínuo do ativo e de sua baixa ao final. |
Se o valor contábil superar o valor recuperável, reconhece-se a perda no resultado. Em geral, a análise é feita por unidade geradora de caixa quando o ativo não gera fluxos independentes dos demais.
Etapas do trabalho
- Identificar indícios internos e externos.
- Definir os ativos ou unidades geradoras de caixa a testar.
- Calcular o valor recuperável, com premissas documentadas (fluxos, taxa de desconto, valor de mercado).
- Comparar com o valor contábil e registrar a perda, se houver.
- Revisar a depreciação futura com base no novo valor contábil.
- Documentar premissas e conclusões para a auditoria.
Dica prática: um teste só é tão bom quanto o cadastro que o sustenta. Bens inexistentes, duplicados ou sem localização distorcem o resultado. Por isso o impairment costuma vir depois de um inventário e de uma conciliação físico-contábil.
Impairment, depreciação e vida útil
A depreciação distribui o custo do bem ao longo da vida útil. O impairment reconhece uma perda quando o bem vale menos do que está registrado. Os dois se conectam: após uma perda, a depreciação futura é recalculada. Veja também vida útil e depreciação conforme o CPC 27.
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Perguntas frequentes
Toda empresa precisa fazer teste de impairment?
Depende do regime contábil e da existência de indícios de perda. Empresas que seguem os CPCs devem avaliar indícios a cada período de reporte. Confirme a obrigatoriedade com seu contador.
Qual a diferença entre impairment e depreciação?
A depreciação distribui o custo do bem ao longo da vida útil. O impairment reconhece perda quando o valor contábil excede o valor recuperável.
Quem pode assinar o laudo de impairment?
Depende da natureza do trabalho e das exigências da auditoria e dos órgãos reguladores. Confirme os requisitos com seu contador e auditor.
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